Em julho passado, Venezuela congelou suas relações com a Colômbia. Até então, os dois eram importantes parceiros comerciais e mantinham diversos acordos. Todos foram susbstituídos por acordos com países amigáveis como Brasil e Argentina.
A decisão foi tomada por Chávez depois do governo colombiano, sob a presidência de Álvaro Uribe, afirmar que a Venezuela fornecia armamentos à guerrilha. A afirmação foi feita com base na apreensão, em um acampamento das Farc, de lança-foguetes antitanques, supostamente pertencentes á Venezuela.
A Venezuela, assim como o Brasil e diferentemente dos EUA e da Colômbia, não vê as Farc como um grupo terrorista.
Além disso, o acesso dos Estados Unido a bases militares colombianas com o objetivo de combater traficantes de drogas e guerrilhas esquerdistas também não agradam o governo venezuelano, que acredita que isso aumenta a possibilidade de uma gerra na América do Sul.
Com o acesso a essas bases, Chávez, duro crítico da política norte-americana, fica vulnerável a ataques dos Estados Unidos. A Venezuela, com uma localização geográfica invejável às grandes potências, possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
A novidade é que agora, Chávez encomendou mísseis russos. “Assinamos alguns acordos militares com a Rússia. Em breve alguns foguetinhos chegarão”. A quantidade não foi informada, mas ele disse que a Venezuela tem apenas a intenção de se defender, não de atacar.
Os mísseis têm alcance de 300km.
Hoje lembrei de uma simulação das Nações Unidas da qual participei há dois anos. Simulávamos o Conselho de Segurança. Em inglês e tudo. Incrivelmente, exatamente por ser em inglês, fui melhor do que em qualquer outra. Ninguém sabia falar direito, então me soltei. É mais ou menos a diferença entre jogar handball e basquete na Educação Física do Ensino Fundamental. Com a diferença de que não sou boa nem em um, nem em outro esporte. Nas simulações, eu até não era ruim, mas em inglês, fiquei menos tímida, afinal, ninguém era muito bom.
O fato é que discutíamos a questão de Darfur, no Sudão.
Lá, ocorre uma guerra civil em que todos os direitos humanos são violados. O desentendimento teve início no ano de 2003, quando grupos rebeldes atacaram alvos do governo com a acusação de que ele privilegiava a população árabe e negligenciava e até reprimia todo o resto. É claro que o governo negou, mas também respondeu com violência aos ataques e denúncias.
Do lado árabe (e do governo) age, principalmente, o exército chamado Janjaweed. O outro lado é dividido em diversas facções, que se dividem mais a cada dia. Hoje, li que um general em missão em Darfur, Martin Luther Agwai, afirmou que a guerra no Sudão havia chegado ao fim, pois os grupos rebeldes já estavam muito fragmentados. No entanto, é necessário lembrar que os problemas em Darfur estão longe de estarem no fim. A fragmentação desses grupos só torna ainda mais difícil que se chegue a um acordo. Mais de 300 mil pessoas morreram; milhões foram toruradas, milhões refugiaram-se; mulheres e crianças foram estupradas.
Esse ano, o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, recebeu do Tribunal Penal Internacional um mandado de prisão, no entanto, por falta de provas e por não haver dispositivos para impor um direito internacional, o presidente pôde não só manter-se presidente, como também expulsar da região órgãos a fim de prestar ajuda humanitária aos civis locais.
A Liga Árabe, assim como a China e a União Africana apóiam o governo sudanês e o presidente al-Bashir. Uma questão apenas de colocar interesses políticos e econômicos à frente de direitos humanos.